quinta-feira, fevereiro 05, 2009

Notas da Drª Marlene Mendes

3

3631

0.82

4

5741

1.16

5

5773

1.02

6

5821

0.88

7

5849

0.64

8

5880

0.94

9

5881

0.16

10

5882

0.98

11

5885

0.86

12

5886

0.92

13

5887

0.74

14

5888

0.44

15

5889

0.92

16

5890

0.38

17

5891

0.84

18

5893

0.38

19

5903

0.86

20

5915

0.92

Notas da Drª Marlene Mendes

3

5190

1.04

4

5290

1.06

5

5345

0.54

6

5408

0.8

7

5710

1.1

8

5712

0.62

9

5713

0.9

10

5716

0.68

11

5717

0.34

12

5718

1.12

13

5720

0.84

14

5722

0.92

15

5723

0.96

16

5725

0.9

17

5726

0.6

18

5728

1.04

19

5734

1.18

20

5735

1.3

21

5743

1.02

22

5758

0.98

23

5761

0.92

24

5767

1.26

25

5770

0.44

26

5787

0.96

quinta-feira, outubro 02, 2008

Praxes

A semana que encerra o mês de Setembro fica marcada pelo regresso às aulas no Ensino Superior. Sem computadores Magalhães como na Primária, portáteis a bons preços como no secundário, os alunos do Superior chegam aos seus destinos e deparam com Instituições esquecidas pela tutela, que procuram sobreviver num pântano financeiro, que estrangula investimentos e desmotiva aqueles que insistem em não desistir, que desde há anos lutam contra a precariedade e os constantes dificuldades de financiamento.

No caso concreto do Instituto Politécnico de Beja, apesar dos constrangimentos da interioridade, constatasse que o número de alunos situa-se em muito aceitáveis padrões, com excepção da Escola Agrária que não fica imune às dificuldades que arrasam esta área do saber. Acresce que o presente ano irá ficar marcado pelo novo regime jurídico das Universidades e Politécnicos, que traz novidades e dúvidas ainda complexas de interiorizar.

Mas nada disso importa para os novos alunos que escolheram Beja para realizarem os seus estudos superiores; como infelizmente, pouco importa à cidade que tende a olhar os estudantes como energúmenos barulhentos, cuja única vantagem é a possibilidade de por preços obscenos arrendar casas e quartos bolorentos.

Vem esta introdução, já demasiado longa, na decorrência dos costumeiros vomitados sobre as praxes! Não escondo que não gosto de praxes e no meu percurso académico nunca praxei nem fui praxado! Como ninguém pode escamotear ou esquecer que, praticamente todos os anos e em todos os locais, praticam-se rituais absurdos e criminosos, atentatórios dos Direitos Individuais, que podem, devem e são sancionados pelo Direito Civil e Penal. É obviamente inaceitável que encobertos por um qualquer ritual de iniciação se aceitem sem censura práticas violadoras da Ordem Jurídica. Mas dito isto, importa esclarecer que as condutas anti-jurídicas durante as praxes, sendo recorrentes, não deixam de ser uma ínfima minoria, perpetradas por meia dúzia de mentecaptos que depois de terceira cerveja perdem a lucidez e se entregam a inaceitáveis desvarios!

Criticar todas as praxes, confundindo uma minoria destas práticas com a sua totalidade, para além de desonestidade intelectual é demonstrador que a mentalidade destes é similar aos que abusam das praxes violentas, sem que, no caso dos críticos, se possa alegar a “idade da parvoíce” como causa de exculpação!

Defendo, desde há muito, que as praxes se façam exclusivamente dentro das Instituições, onde é possível exercer algum controlo, reprimindo práticas inaceitáveis e longe dos olhares mesquinhos e maledicentes; obviamente que acho uma tolice ver estudantes universitários a guincharem nas ruas, pintados e com as roupas das mães e dos pais ou os pijamas das primas: mas respeito que a noção de divertimento aos dezoito anos seja diferente da que tenho hoje; o que sei é que quem é praxado participa de livre vontade, que criam laços fortes com os alunos mais velhos, que percebem que tudo não passa de uma brincadeira, tola, mas uma simples brincadeira! A experiencia que tenho – e já são cinco mais dez anos – é que depois de um dia de pinturas, gritos, ordens tolas e pseudo-humilhações, quando o sol se põe os mais jovens alunos vão jantar a casa daqueles que tentam fazer de carrascos e todos juntos partilham brincadeiras, sorrisos e outras coisas que por pudor não escrevo.

Tentar esconder isso, não é cegueira: é estupidez…

(Crónica Rádio Pax)